Por Dra. Mayra Joan

Apesar da evolução das técnicas cirúrgicas utilizadas, a lipoaspiração ainda provoca reações na região operada e, estas incluem dor, inchaço, equimoses (as “manchas roxas”) e fibrose, entre outras.  A dor e o inchaço diminuem progressivamente e podem permanecer por até três a quatro meses, porém, com a drenagem linfática, esse tempo pode ser reduzido consideravelmente: as “manchas roxas”, por exemplo, podem persistir entre duas e três semanas a contar do pós-operatório.

Logo nos primeiros dias após a cirurgia, a sensibilidade da região lipoaspirada pode estar alterada e, em alguns casos, até ausente. Mas, com o tempo, tende a se normalizar. Além do tratamento com analgésicos para a dor e o edema resultantes da lipoaspiração, esses sintomas podem ser tratados com o uso da drenagem linfática.

A drenagem linfática é um método de mobilização da linfa que retira o acúmulo de líquido de determinadas regiões corporais. Mas o que é a linfa? A linfa é produzida pelo excesso de líquido que sai dos vasos sanguíneos ao espaço entre as células, sendo recolhida pelos vasos linfáticos. Este fluido é responsável pela eliminação de impurezas que as células produzem normalmente durante seu metabolismo.

É por esse motivo que a drenagem linfática resulta em melhora local da oxigenação e circulação nos tecidos, na aceleração da cicatrização de ferimentos, no aumento da capacidade de absorção de equimoses e melhora no retorno da sensibilidade. É importante lembrar, que o organismo faz normalmente essa drenagem dos líquidos, através do sistema linfático. A técnica da drenagem linfática é um mecanismo que auxilia e acelera o sistema linfático nessa tarefa.

A técnica é muito eficiente, porém o profissional tem que tomar algumas medidas de segurança como, por exemplo, conhecer bem o paciente, observar cuidadosamente o estado de saúde da pessoa, inclusive se existe alguma patologia, pois existem algumas contraindicações ao procedimento que devem ser respeitadas. Ela deve ser realizada no sentido da circulação linfática, o ritmo deve ser lento, as manobras devem ser pausadas e repetitivas, a pressão das mãos do profissional deve ser suave. É importante ressaltar que a drenagem linfática não deve ser feita com muita pressão e o paciente não deverá ficar com dor ou hematomas.

A drenagem linfática deve ser iniciada o mais precocemente possível no pós-operatório da lipoaspiração. O ideal é que sejam realizadas de duas a três vezes por semana, em sessões com duração média de 60 minutos. O período em que a drenagem é necessária é muito variável e depende das áreas operadas, da quantidade de gordura retirada e, obviamente, da reação individual de cada organismo.

A lipoaspiração é uma cirurgia cada vez mais procurada, porém é um procedimento cirúrgico que tem como consequência o surgimento de inchaço e dor. A drenagem linfática manual pode auxiliar na redução desses eventos clínicos, acelerando o processo de recuperação pós-operatória, prevenindo e controlando as reações comuns.

 

Mayra Joan Marins da Costa: Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004). Membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, com formação realizada no Instituto Nacional de Câncer. Possui certificado de área de atuação em Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial, com formação realizada no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Cirurgia Plástica e Restauradora, atuando principalmente nos seguintes temas: Cirurgia Plástica e Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial.

 

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